Investimento com propósito

O século 21 marca um momento de grandes transformações. Tecnologias disruptivas mudam a cada dia a forma como nos comunicamos, nos entretemos e fazemos negócios. A revolução digital traz possibilidades quase infinitas – enfrentadas por unicórnios empoderados e por empresas tradicionais que tentam se reinventar para o novo mundo.

Se o cenário de inovação é promissor, não há como olhar nosso século sem colocar na balança os riscos e desafios crescentes que enfrentamos. As mudanças climáticas passaram a ser um fator decisivo para o futuro do planeta, trazendo consequências diretas e imediatas para a forma de se fazer negócios. Ao mesmo tempo, uma sociedade mais madura e crítica clama pela diminuição das desigualdades e por espaços de convivência mais diversos, que afastem qualquer tipo de preconceito e de discriminação. Também exige maior transparência nas relações das empresas com os consumidores, com toda sua cadeia de negócios e com os governos e reguladores.

Em resumo, cobra-se mais coerência e comprometimento de todos –governantes, empresas, investidores, cidadãos.

Nesse novo cenário, dar prioridade às questões ambientais, sociais e de governança (ESG, pela sigla em inglês) deixou de ser algo opcional para as empresas. São aspectos que podem significar riscos concretos para os negócios – mas também grandes oportunidades. Portanto, é natural que cada vez mais as companhias sejam avaliadas por seus desempenhos nessas três áreas, não apenas pelas linhas frias de um balanço tradicional.

Essa necessidade força uma grande revolução no mercado investidor. Alocadores de recursos buscarão estudar como as empresas encaram os desafios do ESG antes de decidir por um investimento ou desinvestimento. Analisar os indicadores de ESG de uma empresa significa esquadrinhar os riscos e oportunidades relacionados àquele negócio – questões ambientais, regulatórias, de imagem e outras que podem construir ou destruir valor.

“Vamos ver surgir um novo tipo de capitalismo e o que vai emergir não é o capitalismo de Milton Friedman, que é só sobre ganhar dinheiro.”

Marc Benioff, SalesForce

É um movimento que começa pelos grandes family offices e investidores institucionais, mas que rapidamente vai se disseminar por todos os nichos de mercado, alcançando também os pequenos investidores.

Investimento de impacto

Estamos vendo surgir a figura do investidor com propósito. Um investidor que visa o lucro, sim, mas que também quer ver seu patrimônio sendo usado para gera impacto efetivo na sociedade, na construção de um planeta melhor, de um futuro mais brilhante.

Longe de ser contraditórias, essas duas linhas de pensamento são complementares. Índices de mercado, como Dow Jones Sustainability World Index (W1SGI) e Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), já provam que as empresas mais socialmente responsáveis podem ter melhor desempenho de longo prazo e atravessam crises com menos dificuldade.

“Qual o futuro que você quer nutrir? Não adianta pensar que queremos criar um mundo X e estar investindo em Y.”

Marina Cançado, empresária, organizadora do Converge Capital, primeiro evento especializado em investimento ESG no Brasil, no Valor Econômico

A tendência é que esse fenômeno só se acelere no futuro próximo. Empresas com grandes passivos ambientais, sociais e de governança têm basicamente duas opções: ou mostram sua disposição de se adaptar rapidamente a essa nova realidade, ou serão deixadas de lado nos portfólios mais promissores – o que, diga-se, já está sendo feito em alguns casos.

E como atender a esse investidor com propósito?

Incorporando indicadores de ESG nas dimensões do negócio. Mais do que isso, incorporando no seu modo de agir e pensar a compreensão de que uma empresa só faz sentido a longo prazo se trouxer ganhos para todos os stakeholders – acionistas, colaboradores e sociedade.

“Cada um dos nossos stakeholders é essencial. Nos comprometemos a entregar valor a todos eles, para o sucesso futuro de nossas empresas, nossas comunidades e nosso país.”

Business RoundTable

Essa revolução chegará no mercado financeiro pelo lado da procura – com investidores querendo concentrar seus esforços em ativos mais sustentáveis – e da oferta – com fundos e outros papeis que busquem formular propostas que atendam a esses anseios.

É o momento de disrupção no pensamento do investidor. Estão todos convidados a fazer parte dele.

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