Empresas querem ajudar a transformar COP30 em um catalisador de ações coletivas, inovação e justiça climática
POR RUBENS FILHO
Quando Belém do Pará for palco da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em 2025 (COP30), o mundo voltará seus olhos para o coração da Amazônia. Mais do que uma escolha geográfica simbólica, a realização da COP30 no Brasil representa uma convocação urgente e histórica para que o país assuma papel de liderança na construção de um futuro sustentável, justo e economicamente transformador.
Diante dos desafios logísticos, como infraestrutura e preços elevados de algumas hospedagens, é compreensível o ceticismo de alguns. No entanto, é exatamente nesse contexto de adversidade que reside a maior oportunidade: mostrar ao mundo que o Brasil não apenas possui soluções reais para a crise climática, mas que já as está implementando.
O Pacto Global – Rede Brasil, com mais de dois mil participantes engajados, entre empresas e organizações não empresariais, está mobilizando o setor empresarial brasileiro para que a COP30 seja muito mais do que um evento diplomático.
A iniciativa pretende transformá-la em um catalisador de ações coletivas, inovação e justiça climática. Um dos pilares desse esforço é o Programa Pacto Rumo à COP30, que articula um portfólio de 12 iniciativas estratégicas abrangendo desde descarbonização do transporte marítimo até resiliência hídrica, passando por economia circular e pela justiça climática nos setores de saúde e moda.
Além dos governos, empresas também têm compromissos na COP30
Entre essas iniciativas destaca-se o Movimento Ambição Net Zero, que já conta com 130 empresas comprometidas em definir metas de redução de emissões alinhadas à ciência. Essas corporações demonstram que competitividade e responsabilidade climática não são opções excludentes, mas sim faces de uma mesma moeda: a inovação sustentável.
Na mesma esteira de mobilização do setor empresarial, recentemente veio à tona o Sustainable Business COP (SB COP), grupo de empresas liderando forças-tarefa, aos moldes do G20, quando se abriu espaço ao Business 20, onde empresas apresentam soluções e firmam parcerias concretas. Apoiado pelo Pacto Global – Rede Brasil, o SB COP não é apenas uma vitrine, sim um laboratório de transformação, onde teoria encontra prática e a ambição se traduz em metas mensuráveis.
O Brasil tem vantagens comparativas únicas nesse cenário. A riqueza de sua biodiversidade, a maturidade de sua matriz energética renovável, com mais de 80% da eletricidade gerada a partir de fontes limpas, e o pioneirismo na produção de biocombustíveis posicionam o país como um ator-chave na transição energética global.
O etanol de cana-de-açúcar, por exemplo, desenvolvido desde os anos 1970, é uma tecnologia comprovada de descarbonização rápida, de baixo custo e alto nível de sustentabilidade. É hora de desmistificar esse setor e garantir que ele seja reconhecido internacionalmente com base em critérios científicos objetivos.
Um palco de muitas iniciativas nacionais e internacionais
Além das grandes corporações que já confirmaram presença na COP, há movimentos poderosos liderados por micro e pequenas empresas. Empreendedores da bioeconomia, turismo sustentável e tecnologias verdes, estarão em Belém para apresentar soluções criadas a partir do conhecimento local, da floresta em pé e da sabedoria territorial.
Há inúmeras “houses” (espaços dedicados para agregar empresas e/ou iniciativas) na cidade; há iniciativas internacionais também aterrissando no território paraense durante os 10 dias de conferência, como o TED, Goals House, Nature Hub, entre outros. Toda COP é única e diferente ao mesmo tempo; é o momento de conexão entre os países e as iniciativas globais.
Momento importante para o financiamento climático
A COP30 também será um momento decisivo para o financiamento climático. Estima-se que sejam necessários US$ 1,3 trilhão anuais para viabilizar a transição global. No Brasil, a Taxonomia Sustentável Brasileira surge como um instrumento estratégico para direcionar esses recursos a projetos alinhados com a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que prevê a redução de 59 a 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035 (em relação a 2005), e o alcance do net zero até 2050. A Taxonomia, baseada em critérios científicos, pode ajudar a evitar o greenwashing e garantir que os investimentos realmente contribuam para a mitigação e adaptação climática.
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Claro, os desafios são reais. A infraestrutura para COP30 ainda está em fase de aceleração, e os custos de logística preocupam. Mas essas dificuldades não devem ofuscar o potencial transformador do evento.
A COP30 pode ser o marco que consolida o Brasil como um líder global em soluções baseadas na natureza, inovação verde e transição justa. É uma oportunidade de mostrar ao mundo que a Amazônia não é apenas um patrimônio a ser protegido, mas um ativo produtivo, fonte de conhecimento, biodiversidade e esperança.
A COP30 não será o fim de uma jornada, mas o início de uma nova era, com o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental no centro. O Brasil tem tudo para liderar essa transformação.
Rubens Filho – Mestre em Ciências na área de Ambiente, Saúde e Sustentabilidade, pela Universidade de São Paulo (USP).
Este texto foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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