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Vazamento expõe riscos da exploração na Foz do Amazonas

Apesar de o vazamento ter sido pequeno, a falta de um mapeamento detalhado do fundo do mar ainda é uma grande lacuna (Foto: Estação Espacial Internacional/Creative Commons)

Extração de petróleo em águas ultraprofundas é uma atividade de alta complexidade, que se torna ainda mais difícil em razão da dinâmica marinha e da sensibilidade ambiental da região

POR NILS ASP

Ao menos desde 2017, diversos pesquisadores brasileiros, incluindo esse que aqui escreve, têm alertado sobre os riscos ambientais com relação à perfuração para óleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas. Esses riscos vêm da combinação da complexidade da operação em si com a complexidade da dinâmica marinha e costeira da região e sua sensibilidade ambiental.

A distância da costa e a grande profundidade da perfuração atual no bloco FZA-M-59, recentemente licenciada para perfuração pelo IBAMA, foram usados como argumentos para minimizar riscos ambientais. Mas, ao mesmo tempo, essas características adicionam complexidade na perfuração em águas chamadas ultraprofundas.

O recente acidente, com vazamento de aproximadamente 18 mil litros de fluido de perfuração menos de dois meses após o início das operações, é um lembrete poderoso dos riscos. Embora o acidente em si seja considerado de pequenas dimensões e de baixo dano ambiental, fica evidente que acidentes podem ocorrer, e o risco de dano ambiental precisa estar sempre em nossos radares.

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O acidente na Foz do Amazonas

O vazamento teria ocorrido a cerca de 2.700 metros e já próximo ao assoalho marinho, que no local da perfuração fica a quase 3 mil metros de profundidade. Possivelmente, a falha mecânica/hidráulica teria ocorrido pelas pressões envolvidas no processo.

A essas pressões se soma a complexidade da dinâmica na coluna d’água na região, que pode incluir várias camadas com velocidades e direções de corrente diferentes entre si e diferentes das correntes em superfície. Isso dificulta o controle e segurança da operação.

Existem ainda riscos associados à movimentações de massa (sedimentos) junto ao fundo. Isso se dá porque a área de perfuração fica no talude continental, uma área de maior declividade e sujeita a instabilidades, onde a mistura de lama e água pode resultar em uma espécie de deslizamento subaquático, o que pode prejudicar a perfuração em si.

Lacunas de conhecimento

A Petrobras tem vasto histórico e muita experiência com esse tipo de operação, e é inegável que a empresa trabalha com os mais altos padrões de segurança. No entanto, acidentes podem ocorrer. E, para que possamos preveni-los ou saber como lidar com eles quando acontecem, é fundamental que tenhamos um maior conhecimento da região.

Ainda existem lacunas de conhecimento muito importantes. Um exemplo clássico dessa falta de conhecimento é o mapeamento do fundo do mar nessa região da Foz do Amazonas, que não temos em detalhes. Essa é uma informação fundamental para se avaliar os riscos ambientais da exploração. E esse é só um exemplo, há muito o que se estudar na região ainda. Muitas vezes, é difícil avaliar os riscos se existe carência de conhecimento.

Acredito que o grande desafio seja suprimir essas lacunas de conhecimento para que possamos avaliar melhor os impactos dessa exploração na Foz do Amazonas. E a Petrobras vem investindo substancialmente no conhecimento ambiental de toda a região. Esse é um legado importante associado às perfurações.

Tirar conclusões sobre o acidente, nesse momento, seria precipitado. Mas o vazamento do fluído é um grande alerta, que mostra como os estudos ambientais são verdadeiramente uma necessidade. Como diz a máxima popular, “acidentes acontecem”…

Nils E. Asp – Professor do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Este texto foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Foto: Estação Espacial Internacional/Creative Commons
Apesar de o vazamento ter sido pequeno, a falta de um mapeamento detalhado do fundo do mar ainda é uma grande lacuna

 

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