Nova regra prevê que alimentos sejam doados e produtos próximos à data de validade tenham preço reduzido
POR KATHRIN GLÖSEL – KONTRAST.AT
Um bilhão e 300 milhões de toneladas de alimentos são jogados fora todos os anos no mundo. O desperdício alimentar é responsável por cerca de 10% das emissões de CO2 que prejudicam nosso clima. A maior parte da comida que acaba na lixeira ainda é comestível. Na Espanha, uma média de 31 quilos de resíduos alimentares são jogados fora por ano, por pessoa.
O governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, está agora tomando medidas para minimizar essa perda. O governo propôs um projeto de lei que pretende impor penalidades às empresas que produzem desperdício de alimentos que poderiam evitar. Se o projeto for aprovado no parlamento espanhol, a lei poderá entrar em vigor já no início de 2023.
A própria lei exige que empresas como produtores de alimentos, supermercados ou restaurantes desenvolvam planos para reduzir e implementar o desperdício de alimentos. Se optarem por não participar, poderão ser multados entre 2 mil e 60 mil euros (entre R$ 11 mil e R$ 32 mil, aproximadamente).
Luis Planas, ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação da Espanha, chama o projeto de “inovador” e espera que ajude a aumentar a conscientização sobre o valor dos alimentos, além da prevenção eficaz de resíduos. Afinal, para ele também é uma questão ética: enquanto quase 700 milhões de pessoas no mundo passam fome, toneladas de alimentos acabam no lixo nos países ricos.
Cooperação com bancos alimentares e agências de ajuda
Uma maneira fácil de evitar que os alimentos acabem no lixo é levar comida dos restaurantes para casa. “Nos pubs, bares e restaurantes, o consumidor deve ter o direito de levar para casa a comida que não comeu, para poder comer lá”, explica Planas. No futuro, os clientes receberão sacolas gratuitas para que possam levar comida para casa. Uma prática que ainda não é comum na Espanha.
A nova lei também visa obrigar supermercados e restaurantes a cooperar com organizações de ajuda, como bancos de alimentos. As empresas maiores também terão que apresentar planos para doar alimentos antes da data de validade. Os alimentos nos supermercados deverão ter os preços reduzidos quando a data de validade estiver se aproximando. E se o alimento não puder mais ser consumido, a lei sugere transformá-lo em alimento para animais ou usá-lo para produzir biocombustíveis.
O governo descobriu que a maioria do desperdício de alimentos vem de residências particulares. Em toda a União Europeia, 53% de todo o desperdício alimentar é gerado pelos consumidores. Mas, em vez de multas, a Espanha aposta em campanhas educativas para mudar o comportamento das populações e tornar seus hábitos de consumo mais sustentáveis.
A França foi a pioneira global – e a Itália seguiu o exemplo
Em 2016, a França se tornou o primeiro país do mundo a proibir supermercados de jogar fora ou destruir alimentos que não foram vendidos. Ao longo dos anos, outros regulamentos foram adicionados. Os comerciantes foram proibidos de tornar os produtos não vendidos inutilizáveis para consumo. Antes disso, a prática era esvaziar o cloro sobre as lixeiras para que os alimentos descartados não pudessem mais ser consumidos. A França estabeleceu a meta de reduzir o desperdício de alimentos em 50% até 2025.
A Itália também introduziu requisitos para que as empresas reduzam o desperdício em cada etapa da cadeia de abastecimento alimentar. Assim como na Espanha, o foco está na doação de produtos não vendidos. No entanto, a Itália se concentra na redução de impostos como uma regulamentação positiva para aqueles que seguem essa ideia, em vez de multas por não implementação.
Este texto foi republicado de Scoope.me sob uma licença Creative Commons. Leia o original em inglês.
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