O teste já foi realizado com sucesso em outros países como Espanha, Japão, Austrália e Reino Unido
POR INGO GEIGER
Desde 1 de março de 2023, a África do Sul está testando a semana de trabalho de quatro dias. Estão participando 28 empresas sul-africanas e uma do Botswana, a maioria pertence aos setores de tecnologia da informação, finanças e recrutamento. Mas como funciona exatamente um estudo como esse?
Na essência, os funcionários trabalham apenas quatro dias por semana, em vez de cinco, fazem o mesmo trabalho e recebem o mesmo salário. Ao contrário da maioria dos testes anteriores, cada funcionário das 29 empresas foi autorizado a escolher seu próprio dia de folga.
Tal como nos outros testes, os resultados são constantemente positivos, tanto para os colaboradores quanto para as empresas.
Resultados: menos estresse e burnout e mais satisfação no trabalho
Após cerca de seis meses, os primeiros resultados estão disponíveis. Eles são parecidos com os resultados de testes realizados em outros países. Os funcionários relataram que eles passaram a:
- Estar menos estressados.
- Ficar doentes com menos frequência.
- Gostar mais de ir trabalhar do que antes do experimento.
O humor dos funcionários também melhorou em casa como resultado da redução da jornada. A frustração e o estresse, normalmente provocados por uma longa semana, não foram levados do trabalho para casa.
As empresas participantes estão satisfeitas, pois a produtividade permaneceu a mesma e, a longo prazo, poderá até aumentar como resultado. A rotatividade da equipe caiu durante a fase de teste, ou seja, menos funcionários se demitiram nesse período. Isso significa que o conhecimento e a experiência da empresa são mantidos.
Cerca de 92% das empresas pretendem manter a semana de quatro dias. No entanto, há uma singularidade que distingue a África do Sul dos demais países do experimento. Embora os funcionários de outros lugares queiram principalmente as sextas-feiras de folga, isso não é tão claro entre os sul-africanos: apenas cerca de um quarto deles tirava folga às sextas-feiras.
Teste da semana de quatro dias é uma série global de experimentos
O estudo faz parte de uma série de testes realizados pela organização sem fins lucrativos 4 Day Week Global. O experimento já foi implementado com sucesso em vários países ao redor do mundo, incluindo Austrália, Espanha, Japão, Reino Unido e Islândia. Os resultados têm sido frequentemente positivos.
A Islândia é um dos primeiros países a introduzir de fato a semana de quatro dias após um teste bem-sucedido. A redução do horário de trabalho é uma realidade para quase 80% dos islandeses.
Este texto foi republicado de TheBetter News sob uma licença Creative Commons. Leia o original em inglês.
Leia mais artigos do ESG Insights.
- ESG Insights no seu e-mail – Grátis: nossa newsletter traz um resumo da edição mais recente da revista ESG Insights, além de notícias, artigos e outras informações sobre sustentabilidade.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
- Afundando nas sobrasNo dumpster diving, descarte de roupas feito pelas lojas tem outro destino: o guarda-roupa
- Germes de segunda mãoRoupas de brechó podem estar cheias de germes; veja o que é preciso saber
- Reinventando o futuroAlternativas ao fast fashion visam garantir sustentabilidade e dignidade nas relações humanas
- Um lookinho por segundoTikTok impulsiona tendências no fast fashion e favorece o consumo exacerbado
- A um clique do consumoCrescimento do comércio on-line estimula vendas por impulso e eleva participação do setor de moda no PIB
- Escravos da modaDo outro lado do mundo, ou em uma esquina perto de você, o trabalho forçado é usado para produzir os itens do seu armário
- Planeta descartadoLógica do fast fashion incentiva uma cultura de hiperconsumo e descarte: elementos incompatíveis com o futuro
- Pra que tanta roupa?Ações não têm sido capazes de frear o avanço do hiperconsumo e seu dano ambiental
- Planeta está próximo de ultrapassar limite de aquecimento de 1,5º CO limite de temperatura estabelecido pelo Acordo de Paris em 2015 está ficando para trás
- Painéis solares colocam espécies em risco na CaatingaA área possui centenas de espécies animais e vegetais da Caatinga, além de nascentes que alimentam afluentes do Rio São Francisco