Documento chama atenção para uma energia renovável que não viole direitos nem coloque as comunidades da região em risco
Representantes de comunidades afetadas pela geração de energia eólica no Nordeste elaboraram um documento com recomendações para a mitigação de danos e impactos. Lançado nesta quarta-feira (31/1), o guia Salvaguardas socioambientais para energia renovável traz análises, discussões e uma construção coletiva de medidas socioambientais para serem adotadas na região.
Ao todo, mais de 100 recomendações foram listadas. Entre as 29 instituições que participaram da criação do material estão movimentos e organizações sociais, povos e populações tradicionais, ativistas socioambientais e pesquisadores.
Principais questões ampliam a discussão sobre impactos socioambientais
As salvaguardas respondem a três grandes problemas. O primeiro são os contratos que apresentam desequilíbrios entre empresas e pequenos proprietários ou posseiros, que arrendam suas terras para a instalação das usinas e outras estruturas relacionadas.
Outro é a licença cedida a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para geração e transmissão de energia, que, segundo o documento, não inclui uma análise qualificada de componentes ambientais, sociais, etnoculturais, produtivos ou agrários.
Já o licenciamento ambiental dos empreendimentos, majoritariamente estadual, tem se mostrado ineficaz para fazer frente aos problemas enfrentados e não fornece ações adequadas de reparação, de acordo com o estudo.
Sugestões buscam qualidade de vida e proteção das terras e povos tradicionais
Para solucionar os problemas, os representantes sugerem um conteúdo mínimo contratual para arrendamento e o estabelecimento de uma distância mínima de 2 quilômetros da torre eólica para edificações (hoje, esse limite não existe).
Além disso, esperam que áreas degradadas para instalação de centrais sejam priorizadas, a fim de evitar mais desmatamento, e que sejam feitos estudos dirigidos à poluição sonora, incluindo de infrassons, e à luminosa (para evitar o “efeito estroboscópico” provocado pelas luzes intermitentes).
As atividades tradicionais e a agricultura familiar também são focos do documento. Isso porque suas políticas de incentivo passaram a ser ameaçadas em algumas regiões do Nordeste, devido à evasão rural ligada à geração de energia eólica.
Outras medidas são sugeridas para garantir a conservação de áreas protegidas e os direitos dos povos e comunidades tradicionais, principalmente o direito à consulta prévia, livre, e informada, prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
- Baixe o guia Salvaguardas socioambientais para energia renovável.
Foto: Daniel Correia/Sal Filmes (Divulgação)
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
- O potencial climático do BRICS no Sul Global
BRICS ganha espaço de diálogo e cooperação no esforço global para promover transições energéticas justas, ordenadas, equitativas e inclusivas - Cerrado expõe fragilidades da política de conservação no Brasil
Áreas úmidas do Cerrado armazenam seis vezes mais carbono do que as terras baixas da Amazônia - O papel estratégico do Brasil na disputa mundial por terras raras
Brasil ganha espaço na disputa internacional por minerais estratégicos; exploração das reservas traz desafios e oportunidades para o país - Eleições em tempos de crise climática: o desafio do super El Niño
Os deputados e senadores eleitos assumirão no auge do El Niño e poderão ter que responder a cenários extremos desde o primeiro dia de mandato - Congresso: 70% dos eleitos são contra agenda ambiental
Estudo do Observatório do Clima aponta queda na adesão às pautas ambientais, quando comparados os atuais e os futuros parlamentares - Proteção da biodiversidade ainda é insuficiente, diz relatório da ONU
Às vésperas da COP17 na Armênia, avaliação da ONU constata que esforços nacionais para preservação da biodiversidade ainda estão longe das metas para 2030 - Mercados de carbono fragmentados desafiam liderança do Brasil
Brasil preside nova coalizão com o desafio de aproximar regras e preços dos vários mercados de carbono no mundo - Mundo deve ultrapassar a meta climática de 1,5°C, aponta relatório da ONU
Já não é mais possível limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, mas o jogo ainda não acabou - Brasil diante do El Niño: como o país deve se preparar para os impactos climáticos
O risco não é apenas meteorológico: fenômeno poderá afetar setores estratégicos, como agricultura, geração de energia, logística, saúde e segurança alimentar - Tragédia no Nepal revela como as mudanças climáticas multiplicam riscos ambientais
Episódio na fronteira entre Nepal e Tibete ilustra como um desastre pode criar as condições para o próximo

