Nesta nova edição temática, a revista ESG Insights procura investigar o mundo do trabalho hoje
Não parece exagero afirmar que cada habitante do planeta tem uma visão própria do que é o trabalho e do valor (simbólico e real) que essa atividade tem em nossa vida. Simploriamente, trabalhar é pagar boletos. Com sorte, talvez parcelar as próximas férias. Mas é só isso? Nesta nova edição temática, a revista ESG Insights procura investigar o mundo do trabalho hoje. As mudanças são rápidas e profundas. O que elas representam de fato para os indivíduos?
O chacoalhão acontece em todas as partes. Nos campos e nas indústrias, as funções braçais persistem, embora percam relevância como geradoras de vagas. No mundo dos profissionais técnicos – em carreiras tão diferentes quanto professores, manicures, psicólogos ou motoristas – a precarização é uma ameaça cada vez mais real. Mas trabalhar é também criar arte, “produzir conteúdo”, gerenciar robôs e inteligências artificiais. Nossos colegas de escritório agora são também aparatos mecânicos ou “pessoas” virtuais. E é só o começo.
O mundo do trabalho não é definido só pelos profissionais (reais ou virtuais). Ele depende de como se comportam as economias globais, os empresários tradicionais e os novos – em particular, os pouquíssimos controladores das tecnologias de IA e das redes sociais, que se tornaram verdadeiras estruturas tecnofeudais (leia mais sobre esse conceito na reportagem O futuro do trabalho). Também esses indivíduos moldam esse ambiente.
A dicotomia entre avanços tecnológicos e criação de vagas de qualidade é apenas um dos aspectos que fazem deste momento um ponto de inflexão. Há em curso uma forte discussão sobre o valor simbólico do trabalho – em uma conversa puxada, em especial, pela chamada geração Z.
Justiça seja feita, parte da geração X já reclamava de que “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade”, como diz a canção de 1987 de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto. Só que hoje, o debate é mais profundo. Trata-se de colocar uma luz sobre barreiras e limites entre a profissão e a vida pessoal – e as consequências emocionais disso tudo.
Construímos diques para separar os ambientes? Ou permitir a mistura desses dois universos pode ser algo não pernicioso, mas engrandecedor? Assim, X e Z travam um diálogo também em nossas páginas, com Marcelo Bauer, X, e Bárbara Vetos, Z, colocando seus pontos de vista sobre tempo e trabalho.
Tudo isso considerado, a revista ESG Insights resolveu colocar em sua capa uma paródia pós-moderna do quadro Operários (1933), de Tarsila do Amaral – poderíamos, talvez, chamá-la de Os pós-trabalhadores? Como os traços dos personagens deixam bem claro, trata-se de uma criação mediada por inteligência artificial, enriquecida pelo talento real de nosso editor de Arte, Vitor Moreira Cirqueira.
Como na obra de Tarsila, que traz nomes conhecidos da época misturados a rostos anônimos, em nossa capa há “famosos” representando alguns perfis de profissionais e senhores feudais contemporâneos. Obviamente, não há uma pretensão de representarmos toda a diversidade ou respeitarmos a proporcionalidade do mercado de trabalho geral. Trata-se, talvez isso sim, de um despretensioso alerta.

Revista ESG Insights nº 3 – O mundo do trabalho
Trabalhar é pagar boletos. E o que mais? – Carta ao leitor
O futuro do trabalho – Em meio a mudanças e incertezas, o mercado e os trabalhadores se reinventam
Ninguém quer mais trabalhar – Ou ninguém quer mais trabalhar sob as atuais condições? Como o conflito de gerações atrapalha na profissão
Desassossegados do mundo, uni-vos – Viver é gerenciar o consumo do tempo. Qual o espaço do trabalho nessa balança?
O que sobra do agora – A existência em pequenas brechas: quantos stories cabem em uma vida?
O outro lado do trabalho – Quando o emprego deixa de ser motivo de satisfação pessoal e se torna um fardo – com impactos severos
Liderança humanizada – A compaixão como estratégia para gerar relevância e sustentabilidade
Os profissionais do futuro na era da IA – A tecnologia é ameaça ou oportunidade no mundo do trabalho? Ou ambas?
Uma lei, várias realidades – Informalidade, pejotização e descumprimento de regras são desafios da legislação
A-Z das discriminações e preconceitos – Dicionário das práticas obtusas e persistentes
Humildade não paga conta – Uma conversa franca com Fred Albuquerque, porta-voz informal e senso crítico da Faria Lima



